A sexualidade humana é ainda um tema tabu, com crenças, valores e preconceitos muito fortes e castradores.
Quando nascemos somos, naturalmente, inseridos num género (masculino/feminino) o qual será a base da construção da nossa identidade sexual, primeiro perante a sociedade e mais tarde perante nós próprios. A sociedade ajuda-nos a definir e compreender o nosso papel sexual, o qual será desempenhado ao longo de toda a nossa vida.
Desde o nascimento a criança recebe mensagens sociais, que na sua maioria são mensagens sexuais: vestimos as meninas de rosa, os meninos de azul, há brinquedos para meninos, brinquedos para meninas, há brincadeiras de meninas e brincadeiras de meninos, etc. Ao longo de toda a nossa vida continuamos a receber, da sociedade, mensagens sexuais através da publicidade, comunicação social, forma de vestir, etc. A entrada na puberdade é o despoletar de um certo número de mudanças visíveis, quer para o indivíduo quer para a sociedade
Quer para os pais quer para os docentes este tema, também é complexo, uma vez que irá pôr em causa os nossos próprios valores, crenças, preconceitos e representações que temos de nós próprios e dos outros.
Abordar o tema educação sexual com crianças/jovens com deficiência mental e respectivas famílias é ainda mais complexo.
Estas crianças em termos biológicos seguem o mesmo percurso que os seus pares. A criança/jovem sente as mudanças mas não é capaz de as interpretar e compreender. Tal como qualquer outra pessoa têm impulsos sexuais mas devido às suas experiências (poucas em quantidade e por vezes em qualidade) e limitações em termos de retenção de informação, estes indivíduos têm dificuldade em compreender o comportamento social adequado aos contextos/situações, o que importuna a sociedade
Os principais objectivos da educação sexual com estes indivíduos são a percepção das suas mudanças e das dos outros (a nível físico e psíquico), a compreensão e a sua relação com essas mudanças. A construção da sua identidade sexual e o respeito pela dos outros é a base das relações com o grupo social.
Os pais/família têm muitas preocupações em relação à construção da identidade sexual e dos abusos sexuais destas crianças/jovens que, muitas vezes, não sabem distinguir o bem do mal.
Os pares (com e sem deficiência) são um grupo fundamental na inserção das pessoas com deficiência na sociedade. O trabalho, em termos de educação sexual, com estas crianças/jovens e os seus pares, deve ser valorizado e incentivado.
O Ser Humano é um ser sexuado e ignorar ou reprimir a sexualidade destas crianças/jovens é impedir ou dificultar o seu desenvolvimento enquanto PESSOA, o que ninguém tem o direito de fazer.
Os intervenientes que rodeiam a criança/jovem têm o dever de (in)formar sobre esta temática, o que não significa decidir por eles, porque devem ter o direito de decisão (caso seja possível) do seu futuro, incluindo a construção da sua identidade sexual.
A mudança de mentalidade é morosa e, geralmente, só é conseguida com a acção activa de todos os envolvidos: crianças/jovens, pais/família, docentes e sociedade em geral.
Autoria: Ana Cristina Simões (Educadora de Infância)
Data: Novembro de 2007
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