Autismo e Psicose Infantil

A presente apresentação trata da distinção Autismo e Psicose e resumidamente coloca as noções contemporâneas que se tem sobre o assunto. Trata-se mais de um resumo para orientar e estimular a pesquisa.


Em relação à psicose e ao autismo, a primeira é estudada e tratada a mais tempo, tendo assim maiores referências teóricas e estratégias de tratamento. Já o autismo esta sendo cada vez mais estudado e pesquisado, mas isso ainda é recente.


A psicose é vista pela psicanálise como uma estrutura clínica (existem três estruturas de personalidade: Psicose, Neurose e Perversão) e o autismo sendo um agravamento precoce desta estrutura. Mas isso ainda é tema de controvérsias e discussões.


Na psiquiatria, o autismo é visto como uma síndrome, ou seja, um conjunto de sintomatologias patológicas, que não possuem uma etiologia definida. A causa não foi isolada ou encontrada, acredita-se que muitos factores sejam responsáveis ao mesmo tempo por tal quadro.


Actualmente a psiquiatria denomina o autismo de Transtorno Invasivo do Desenvolvimento (CID 10: F 84.0), por suas características patológicas que retardam ou paralisam o desenvolvimento esperado de uma criança (Aprendizagem, Relacionamento, etc.).



Ideias principais acerca do autismo e da psicose:


Psicose:


-Mecanismo de fuga, Isolamento;


-Afastamento da Realidade Externa;


-Fuga para a Realidade Interna, Fantasia;


-Ego Frágil;


-Intolerância à limites / à Frustração;


-Dificuldade na Abstracção (Falha na esfera Simbólica).


Autismo: Termo cunhado por Bleuger (1907), deriva do grego Autos (o si mesmo) para designar o ensimesmamento psicótico do sujeito em seu mundo interno e a ausência de qualquer contacto com o exterior – podendo chegar ao mutismo:


-Surgimento precoce dos distúrbios (sono, alimentação, fobias...);


-Extremo isolamento;


-Ausência da fala, comunicação (distúrbios de linguagem);


-Quando a fala está presente ocorrência de ecolalia (repetição de forma mecânica do que é dito);


-Estereotipais gestuais (repetitivos);


-Padrão repetitivo, necessidade da rotina fixa;


-Recusa do olhar;


-Incapacidade no relacionamento interpessoal (mesmo com os pais);


-Rituais específicos não funcionais;


-Uso dos objectos externos independentes de sua funcionalidade, mas obedecendo a uma lógica funcional subjectiva;


-Auto e/ou hetero-agressividade presentes;


-Indiferença à dor.


Causa:


-Psiquiatria:


- Constitucional ( genética/ bioquímica);


-Uso de drogas na gestação (pode causar alterações no feto);


-Uso de drogas para o homem pode causar anomalias em sua produção de espermatozóides e assim afectar a criança.


-Psicologia/Psicanálise:


- Meio externo (cultura) e relação familiar Etiologia multifactorial.


Prognóstico:


No caso do autismo se a criança desenvolve a fala ate os 5 anos ela tem melhor prognóstico;


Nas psicoses tento devido acompanhamento e tratamento multidisciplinar alcançam-se bons resultados.


Tratamento:


Equipa Multidisciplinar (Psiquiatra, Neurologista, Psicólogo, Fonoaudióloga, Assistente Social, T.O., entre outros);


-Hospital-Dia, tratamento psicofarmacológico, grupos de Estimulação Sensorial, Jogos Lúdicos, psicoterapia infantil;


-Família precisa ter acompanhamento por intermédio de terapia familiar e/ou psicoterapia individual.



Autismo- Psiquiatra Kanner - desenvolve um estudo sobre o autismo precoce, ou a síndrome de Kanner, no qual a criança já nasce autista. Desenvolveu-se uma tabela a partir de suas contribuições clínicas:


Autismo Precoce – 0/5 anos;


Autismo Idade Escolar – 6/7;


Autismo Tardio – 10/13;


Esquizofrenia – 13 em diante;


(Tais seriam as classificações do quadro autístico, pela idade, segundo Kanner).



Para classificação é preciso atentar à:


-Idade;


-Fase do desenvolvimento (Oral 0 a 2 anos; anal 2 a 4 anos; fálica 4 a 6 anos e Genital 7 anos em diante);


-Tempo de duração das características (6/7 meses).


Psicose sai daquilo que lhe causa angústia (desorganiza) - Mecanismo de Fuga.


Autismo (ausência/ indiferença frente à realidade externa) - Mecanismo de Isolamento.




Referências Bibliográficas:


FREUD, S. – Edição Eletrônica Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund  Freud. Rio de Janeiro, Imago Ed., (s.d.)


·         Neurose e Psicose (1924b) Vol. XIX


JERUSALINSKY, A. - Psicanálise do autismo. Porto Alegre, Artes Médicas, 1984.


KLEIN, M - Amor,Culpa e Reparação e outros trabalho 1921-1945. Ed. Imago, Rio de


Janeiro, 1996


·         A psicoterapia das psicoses (1930).


·         A importância da formação de símbolos no desenvolvimento do ego (1930)


 


LACAN, J. - O seminário 3– As psicoses. Rio de Janeiro , Jorge Zahar Editores,1995.




Autoria: René Schubert (Psicólogo – Psicanalista - Brasil)


IC – Intercâmbio do Conhecimento



Comentários

  1. Parabéns pelo vosso sítio.

    Olho para cima, para os lados, para baixo e deixo que me olhem. Sou simplesmente eu. Com defeitos, virtudes (quiçá?), simplesmente um ser humano, que procura viver este caminho terreno com alguma dignidade. Gostava de ser melhor, luto todos os dias para isso. Os meus olhares revelam o espírito de quem busca verdade e solidariedade. Não importa quem sejas, quem sejam, quem sou. Importa sim, lutar pelo que podemos ser.

    saudações amigas

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  2. São dois problemas que realmente merecem sempre uma atenção especial
    é uma coisa desagradável e que deve ser tratada da melhor forma possível.

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