“ (…) a escola e a sociedade, de um modo geral ainda se fecham à utilização de novas terapias.”
Se atentarmos ao facto de que a nossa sociedade actual se caracteriza genericamente por ser uma sociedade maioritariamente constituída por indivíduos preconceituosos, auto-centrados, conservadores, iletrados e egocêntricos; e a par disto, que a Escola surge como um veículo de transmissão de valores, sendo que muitos desses valores são também eles discriminatórios, preconceituosos e desiguais.
Neste contexto rapidamente percebemos a dificuldade de aceitação, em primeiro lugar, do portador de deficiência e seguidamente do uso de novas terapias para o seu bem-estar físico, psicológico, social, mental.
Devemo-nos questionar relativamente à forma como a deficiência é encarada. Como é aceite a “diferença”?
São muitas as pessoas que olham o portador de deficiência como “algo” sem utilidade, como um estorvo. Este pensamento retrógrado tem por base ideias preconcebidas, sem fundamento sólido, que apenas impossibilitam o avanço a nível da alteração de mentalidades.
O pensamento geral deveria ser o de que são acima de qualquer outra coisa seres Humanos com direitos na sociedade que se tenta dizer justa e integradora.
Não posso deixar de fazer aqui referência a um vídeo que vi há dias no Youtube que tinha como título: “E se os deficientes fossemos nós?”Tocou-me particularmente pelo facto de que a verdade é que não nos apercebemos das reais dificuldades que um “deficiente” tem de tentar ultrapassar no seu quotidiano. Como se não bastasse a barreira das mentalidades, também as barreiras físicas impostas por seres ditos “normais”.
Existe ainda um longo caminho a percorrer, muito tem de ser feito para abalar consciências para a realidade que é a pessoa com “deficiência”.
Apraz-me dizer que a deficiência está na cabeça de quem julga o que desconhece. Que desconhece que deficiência designa não só uma lesão que impõe restrições à participação social de uma pessoa, mas que também denuncia a estrutura social que oprime a pessoa deficiente.
Se tanto a sociedade como a escola preferem continuar a ignorar a pessoa com deficiência, cabe aos profissionais da área a tarefa de zelar pelos seus direitos, não deixando de fazer que os ecos da sua voz se façam sentir cada vez mais alto e mais distantes.
É a eles que está entregue a tarefa de lutar em prol dos que isoladamente não se conseguem fazer ouvir.
É necessário abalar consciências. Não importa quantos somos, importa sim o que fazemos para o bem-estar dos que têm em nós a única forma de ultrapassar barreiras e preconceitos.
Juntos temos mais força.
Autoria: Célia Ferreira (Estudante)
Data: Outubro de 2007
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