Estudo de Caso - Síndrme de Lowe (número 3)


 


4.5 – Intervenção pedagógica


 


            Após se ter tomado conhecimento de todo o historial da criança a equipa multidisciplinar planificou a intervenção, efectuou as adaptações necessárias e elaborou um Plano Educativo Individual (PEI), com aplicação prevista para três anos lectivos, procurando com este estabelecer um ambiente propício ao seu desenvolvimento.


 


Para o Ro utilizaram-se e continuam a utilizar-se equipamentos/materiais adaptados às suas características, uma vez que, e tal como refere Nunes (2001: 33), “a criança multideficiente com deficiência visual não aprende da mesma forma que os seus pares”. Estas adaptações de materiais/equipamentos visam desenvolver as suas habilidades, capacidades e competências e proporcionar-lhe uma melhor qualidade de vida.


 


Iniciou-se, em 2001/2002, a intervenção com esta criança integrando-a na sala de estimulação global I – sala de iniciação (fase mais precoce). Nesta sala existe uma educadora responsável, que conta com o apoio de uma auxiliar, e desenvolve actividades relacionadas com o desenvolvimento cognitivo, motor, sócio-afectivo, autonomia e comunicação. Neste ano lectivo, o Ro teve como companheiros de “trabalho” na sua sala outras 4 crianças. Ao longo do ano beneficiou de sessões semanais de psicomotricidade, terapia ocupacional e psicologia.


 


No ano lectivo de 2002/2003 continuou integrado na mesma sala, contudo com apenas mais três crianças, onde realizou, para além das actividades programadas, aulas de adaptação ao meio aquático, musicoterapia, terapia ocupacional, psicologia e ainda beneficiou de sessões semanais de psicomotricidade.


 


Relativamente ao ano lectivo de 2003/2004 foram realizadas, na mesma sala, actividades de terapia ocupacional e psicologia, acompanhado de dois colegas. No final deste ano lectivo foi elaborado um novo PEI, que contemplava medidas mais evoluídas e adaptadas aos progressos do Ro.


 


No que refere ano lectivo de 2004/2005, e beneficiando já de novas medidas de intervenção, beneficiou apenas de psicologia e terapia ocupacional, para além da estimulação global.


 


No presente ano lectivo encontra-se acompanhado apenas por uma criança, e continua a frequentar a mesma sala de estimulação global, usufruindo de hipoterapia, de terapia ocupacional e de psicologia.



 


Ao longo destes anos lectivos, o aluno realizou progressos notórios em todas as áreas. A equipa multidisciplinar planificou metas muito “curtas” e bem definidas e avaliou frequentemente a qualidade da implementação das mesmas.


 


As actividades que ainda se repetem, desde que o aluno entrou para a instituição, são as da sala de estimulação global, contudo são um pouco mais exigentes do que as inicialmente previstas, uma vez que, o aluno fez alguns progressos, como se pode verificar nos Quadros 4 e 5 de Comportamentos Adaptativos.


 


Os domínios mais trabalhados têm sido o da estimulação sensorial e o da socialização, dado que a criança não estava habituada a estar com pessoas, não usava roupa e não comunicava, pelo contrário, permanecia isolado e auto-agredia-se.


 


Todas as programações apresentadas basearam-se nos PEI’s elaborados para o aluno.


 


 O primeiro PEI planificado para o aluno foi realizado pela equipa multidisciplinar da escola, no ano lectivo de 2001/2002, onde se estabeleceram os objectivos a atingir (Quadro 11).


 


Plano Educativo Individual 2001/2002


 



Objectivos gerais


Objectivos específicos


- Controlar os níveis de compreensão;


- Diminuir a auto agressão;


- Estabelecer relações com objectos e pessoas;


- Comunicar por sons sem gritar;


- Manusear objectos;


- Reagir ao contacto com colegas e adultos.


- Identificar vozes/sons significativos;


- Reconhecer objectos simples pelo tacto;


- Aprender a deslocar-se na cadeira de rodas;


- Aperceber-se do que o rodeia;


- Comer fruta e pão sozinho;


- Beber água sozinho;


- Manipular objectos.


Quadro 11 - Plano Educativo Individual, do ano lectivo 2001/2002


 


 


Plano Educativo Individual 2004/2005


 



Objectivos gerais


Objectivos específicos


- Desenvolver as capacidades sócio - afectivas;


- Desenvolver a comunicação;


- Desenvolver as suas capacidades cognitivas;


- Desenvolver as suas capacidades e habilidades motoras;


- Desenvolver a autonomia.


 


- Explorar o mundo que o rodeia;


- Desenvolver a comunicação receptiva e expressiva;


-Desenvolver a capacidade de locomoção;


- Manipular objectos;


- Reconhecer objectos pelo tacto;


- Comer sozinho;


- Relacionar-se com colegas e adultos;


- Desenvolver a coordenação geral.


Quadro 12 - Plano Educativo Individual, do ano lectivo 2004/2005


 


 


No final do ano lectivo 2003/2004, após uma reavaliação da situação do aluno, elaborou-se um novo PEI, com novos objectivos (Quadro 12), para ser aplicado no ano lectivo 2004/2005 (por 3 anos lectivos).


 


4.6 – Estratégias e materiais utilizados


 


Ao longo do seu processo ensino-aprendizagem, o aluno utiliza diferentes materiais e equipamentos que facilitam a sua adaptação ao meio e contribuem para a sua aprendizagem e desenvolvimento e consequentemente a sua qualidade de vida.


 


O Ro está inserido na sala de estimulação global, onde desenvolve a maior parte das suas actividades diárias.


 


A sala está à responsabilidade de uma educadora e de uma auxiliar que desenvolvem actividades que visam desenvolver os domínios: motor, sensorial, cognitivo, sócio-afectivo, etc. É composta por dois espaços: um acolchoado, com colchões de várias dimensões e espessuras, onde o aluno desenvolve as suas actividades de exploração, aprendizagem e concentração e que possui materiais gímnicos e psicomotores como: bolas, rolos, planos inclinados, túneis; e outro com um piso diferente, onde o aluno realiza outro tipo de actividades. Possui ainda uma casa de banho onde o aluno toma banho.


 


Esta sala está apetrechada de alguns móveis e prateleiras devidamente protegidos e forrados com diferentes texturas, apresenta cores bastante fortes e contrastantes (estimulação visual) e um ambiente sempre com estimulação sonora (música ambiente, sons da natureza e quotidiano). Tem várias caixas e embalagens de materiais diversos, organizados por áreas (como: higiene, alimentação, família, etc.,), compostas por objectos reais da vida diária, objectos em miniatura (representações dos objectos reais). Apresenta uma parede de texturas e um piso de texturas, onde o aluno pode experimentar e explorar diferentes estímulos tácteis. Está equipada com uma unidade de pedais eléctricos – switch, onde através de preensão o aludo pode ouvir sons de animais, da natureza e ainda algumas expressões verbais (como: “olá”, “bom dia”, entre outras). 


 


Para além dos materiais já referidos, objectos e dispositivos, existem calendários tácteis referentes às actividades diárias do aluno (que já vão sendo utilizados com algum sucesso em conjunto com as informações orais da educadora).


 


O aluno utiliza materiais alternativos como: pastas, tintas, barro, plasticina, entre outros, assim como, diversos brinquedos e jogos lúdicos com características tácteis e sonoras (instrumentos musicais, jogos sonoros interactivos, mobiles, jogos musicais, etc.), a cadeira de rodas para permanecer ou deslocar-se (com auxilio), contudo esta encontra-se desadequada ao tamanho do mesmo.


 


Os técnicos que trabalham com o aluno utilizam com frequência CDs com músicas infantis, música ambiente, sons da natureza e quotidiano que proporcionam ao aluno uma atmosfera calma e com mais harmonia.


 


As características da Sala de Estimulação Global estão devidamente adaptadas às necessidades do aluno, com SL, sendo a sala:


 


- ampla, iluminada e arejada;


 


- apetrechada com jogos lúdicos e pedagógicos (materiais didácticos adequados);


 


- tem sempre um ambiente musical (cultivando várias realidades sonoras);


 


- as luzes são reguláveis (poderão ser de várias cores e ter bolas de espelhos);


 


- as paredes da sala e o piso possibilitam o contacto com várias texturas.


 


Todos os materiais visam estimular o aluno, no sentido de incrementar o seu desenvolvimento global, trabalhando com ele sempre à base de estímulos sensoriais, recorrendo à luz, cor, som, textura, entre outras para as quais manifesta preferência.


 

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